A polêmica sobre o "falar popular" revela a necessidade de dialogar com os alunos não familiarizados com a norma-padrão
- Qué apanhá sordado?
- O quê?
- Qué apanhá?
Pernas e cabeças na calçada.
É óbvio: o célebre poema O Capoeira,
de Oswald de Andrade (1890-1954), está quase integralmente em desacordo
com a norma-padrão da Língua Portuguesa. Isso não impede, entretanto,
que Pau Brasil, o livro de 1925 em que o texto está incluído,
seja estudado nas escolas e frequente as listas de leitura obrigatória
das mais concorridas universidades do país.
Do regionalismo de
Jorge Amado à prosa contemporânea da literatura marginal, passando pelo
modernismo de Mário de Andrade e Guimarães Rosa, refletir sobre as
variedades populares da língua, típicas da fala, tem sido uma maneira
eficaz de levar os alunos a compreender as formas de expressão de
diferentes grupos sociais, a diversidade linguística de nosso país e a
constatação de que a língua é dinâmica e se reinventa dia a dia.
A discussão, porém, tomou um caminho diferente no caso do livro Por Uma Vida Melhor,
volume de Língua Portuguesa destinado às séries finais na Educação de
Jovens e Adultos (EJA). Um excerto do capítulo "Escrever É Diferente de
Falar" foi entendido como uma defesa do "falar errado". Muitas pessoas
expressaram o temor de que isso representasse uma tentativa de
desqualificar o ensino das regras gramaticais e ortográficas que regem a
Língua Portuguesa. De fato, não se pode discutir que o papel da escola é
(e deve continuar sendo) ensinar a norma culta da língua.
Mas,
afinal, do ponto de vista da prática pedagógica, está correto
contemplar nas aulas a reflexão sobre as variantes populares da língua? A
resposta é sim. A questão ganhou relevância com a universalização do
ensino nas três últimas décadas. Com a democratização do acesso à
Educação, a escola passou a receber populações não familiarizadas com a
norma-padrão. Nesse percurso, surgiu a tese de que falar "errado"
representava um impedimento para aprender a escrever "certo". Pesquisas
na área de didática mostraram exatamente o contrário: o contato com a
norma culta da escrita impacta a oralidade. Ao escrever do jeito
previsto pelas gramáticas, o aluno tende a incorporar à fala as
estruturas e expressões que aprendeu.
http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/pratica-pedagogica/desafio-ensinar-lingua-todos-variedade-linguistica-falar-628499.shtml

Essa é uma questão bastante polêmica, pois, acredita-se que não existe mais "certo" ou "errado" e sim "adequado" e "inadequado". De qualquer forma, é importante que percebamos que a nossa língua possui diversas variações e que devem ser consideradas cada uma em sua particularidade.
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